Praias de Aracaju são invadidas por petróleo cru
A dinâmica das correntes marítimas e direção do vento, sentido nordeste, vem contribuindo para o avanço do petróleo cru no litoral sergipano. Nesta manhã, na maré secando, as manchas apareceram nas areias das praias de Aracaju, trazendo odor, grave poluição e prejuízos imensuráveis à fauna e flora marítima.
A imprensa nacional noticiou no início desta semana, a chegada das manchas de petróleo no litoral norte sergipano: na Praia de Ponta dos Mangues, em Pacatuba, nas praias das cidades de Pirambu e Barra dos Coqueiros. Vale ressaltar, o menor estado da federação, é um dos principais berçários de tartarugas marinhas do Brasil e vem sendo afetado com o gravíssimo crime ambiental.

Técnicos do Projeto Tamar recolheram na última sexta-feira 27, uma tartaruga marinha afetada pela mancha de petróleo no município da Barra dos Coqueiros. O animal passou por processo de lavagem em tanque e foi feito exame sanguíneo para checar o estado de saúde.

Informações atualizadas do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, apontam que a mancha de petróleo cru recolhida , com a mesma composição química, avança no litoral nordestino, afetando 114 praias até o momento. Desde o início de setembro, o petróleo bruto começou a aparecer no estremo norte do Brasil, oito estados da região Nordeste foram comprometidos. Bahia foi o único estado não afetado pelo denso petróleo à deriva até o momento.

Em matéria publicada no site Época, a Petrobras encaminhou para o Ibama, laudo sigiloso sinalizando que a macha de óleo encontrada nas praias nordestinas, pode ser petróleo cru oriundo da Venezuela. Oficialmente nada foi confirmado pelas autoridades públicas brasileiras.
Gestores públicos estão preocupados com a cadeia turística na região Nordeste neste início de estação com temperatura elevada, primavera. As principais praias que recebem grande fluxo de pessoas foram afetadas pelo petróleo cru.
Pesquisadores das universidades públicas dos estados envolvidos, Petrobras, Marinha do Brasil e técnicos dos órgãos governamentais do meio ambiente estudam a composição química do petróleo cru, o caminho percorrido pela mancha via imagens de satélite e a dimensão do desastre que já é considerado o maior de todos os tempos no litoral nordestino.
Aracaju do Surf
Infelizmente a prática esportiva ficou prejudicada nesta quinta-feira na Praia do Havaizinho, as manchas de petróleo estão espalhadas em toda a região, provocando muita sujeira e odor. De acordo com a Adema – Administração Estadual do Meio Ambiente, órgão do Governo de Sergipe, a balneabilidade das praias sergipanas não foi afetada pelo petróleo cru, análises foram feitas e confirmaram a liberação para o banho e prática esportiva.

Nas próximas horas a movimentação da maré apontará a real dimensão do crime ambiental. Por enquanto, as manchas são de pequeno porte, mas a quantidade chama atenção dos banhistas que frequentaram o Havaizinho nesta manhã. Tudo indica que nos próximos dias, a movimentação das correntes marinhas poderá levar o petróleo cru para as praias do litoral sul.

Aracaju (SE), 03 de outubro de 2019