Sirenes apenas não bastam para alertar a população dos eventos naturais extremos, afirmam especialistas
O desastre no litoral norte de São Paulo, provocado por chuvas extremas, contabiliza 65 vidas ceifadas, centenas de famílias desabrigadas e infraestrutura comprometida, até o momento. O rastro de destruição nas seis cidades afetadas pelas mudanças climáticas: Bertioga, Caraguatatuba, Guarujá, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba, todas surfe, e duas portadoras de títulos mundiais da WSL Championship Tour, são impressionantes e coloca em debate o papel do poder público.
O Sombreiro Surf Notícias, mais uma vez, exerceu o princípio da comunicação social, informou aos surfistas e simpatizantes, fatos relacionados à problemática do meio ambiente, assim como o trabalho dos surfistas, fotógrafos e empresários locais, empáticos aos cidadãos desabrigados ou desalojados. Eles continuam a ajudar no processo de orientação, arrecadação e distribuição de alimentos, roupas, calçados, produtos básicos de higiene.
A “corrente do bem” gerada pelos surfistas do litoral norte já ajudou milhares de pessoas.
Após a catástrofe natural, o Governo de São Paulo anunciou a implantação de sirenes nos locais que proporcionam maiores riscos de desabamentos e enchentes. A medida emergencial foi apresentada na quinta-feira (23), e segundo a matéria da Agência Brasil, os especialistas vêm com cautela a proposta governamental.
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“Esse sistema de alerta tem que estar dentro do sistema de gestão de risco do município. Você tem que ter um mapeamento das áreas de risco e das áreas que vão receber essas pessoas em caso de desastre, em caso de acidente. Essas pessoas têm que ser direcionadas para locais que sejam seguros”, destaca o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro e diretor da Federação Brasileira de Geólogos, Fábio Augusto Reis.
“O treinamento até parece simples, mas não é. É um processo que tem que ter o convencimento da população. As pessoas têm que ser convencidas que aquele sistema funciona e, para esse convencimento, você tem que ter líderes da comunidade local participando”, afirma.
O conhecimento especializado do professor Fábio Augusto é válido para todas as cidades litorâneas brasileiras, incluindo as de Sergipe. Nos últimos anos existiram diversas ocorrências, como as das regiões sul e centro-sul. As chuvas extremas provocaram estragados na infraestrutura e prejuízos para centenas de famílias.
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Alguns efeitos das mudanças climáticas são perceptíveis para os surfistas mais experientes da Praia do Havaizinho, em Aracaju, como o aumento de pancada de chuva, e de grande volume, vento acima da média nas quatro estações, gerando fortes rajadas e elevação do nível do mar.

Na matéria citada, Paulo Canedo, professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), colocou em destaque a população que será alertada: idosos, crianças, doentes, cidadãos, pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção.

“O que fazer para socorrer aqueles que não podem sair, pessoas idosas, pessoas que estejam doentes, com dificuldade locomoção. Vai ter que ter pessoas treinadas para ir no contrafluxo. Todo mundo descendo e vai ter que ter pessoas especializadas para subir, retirar aquelas pessoas que são cadeirantes, que são doentes do coração. É tudo uma grande confusão. Não é só tocar o apito e está resolvido. Quem vai subir e pegar as crianças e idosos?”, questiona. “Plano de contingência para evacuação é algo muito difícil de ser feito. Mas é extraordinariamente mais difícil de ser conduzido. E é por isso que tem que ser muito bem planejado”, conclui.
